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ARQUITETURA & SEGURANÇA

COMO O PROJETO PROTEGE — SEM TRANSFORMAR SUA CASA EM UMA FORTALEZA.

O CRIME DEPENDE
DO AMBIENTE.

A criminologia ambiental trabalha com um princípio técnico chamado Triângulo do Crime : para que uma ocorrência aconteça, três fatores precisam convergir ao mesmo tempo. Uma vítima (ou alvo). Um agente motivado. E um ambiente favorável — o espaço físico que oferece a oportunidade.

Vítimas e criminosos, a sociedade sempre produz. O que pode ser transformado é a terceira variável: o ambiente. E é exatamente aí que a arquitetura atua. Uma janela bem posicionada funciona 24 horas por dia , sem custo operacional, sem manutenção mensal, sem depender de bateria ou sinal. Nenhum sistema eletrônico oferece essa equação.

Foi a partir dessa constatação que, nos anos 1970, se sistematizou o CPTED — Crime Prevention Through Environmental Design. Em português: Prevenção do Crime Através do Desenho do Ambiente. Em Portugal, a metodologia é chamada de SEPTED . A norma internacional que padroniza essas diretrizes é a ISO 22341:2021 , lançada pela ISO em 2021 — a primeira norma global dedicada exclusivamente à prevenção criminal por meio do design.

No Brasil, o tema foi pioneiramente estruturado pelo Coronel Roberson Luiz Bondaruk (PM-PR), em tese pela UFPR em parceria com a Academia do Guatupê. A definição técnica que ele usa é precisa: "Eliminação de características físicas do ambiente que facilitam o ato delitivo." A ICED — International CPTED Association, fundada em 1996 no Canadá — usa uma definição mais ampla: método multidisciplinar para redução do crime e do medo do crime por meio do desenho, gerenciamento e manutenção de espaços públicos e privados.

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Fonte

Coronel Roberson Luiz Bondaruk — 40 anos na área de segurança pública, Bacharel em Direito pela PUC-PR (2004), especialista em Estratégias de Segurança Pública (UFPR, 2006), autor de 22 publicações, premiado em Paris no "Premio Ernet de Inovacion Design contra o Crime" (2006). Autor de "A Prevenção do Crime Através do Desenho Urbano" (UFPR) e "Design Contra o Crime". · ISO 22341:2021 (Internacional). · ICED — International CPTED Association.

Os Quatro
Pilares do
CPTED

Aplicáveis a qualquer contexto: residencial, comercial, industrial, público ou privado.

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01. Vigilância Natural

"Ver e ser visto" — o princípio mais efetivo do CPTED. O potencial criminoso precisa sentir que está sendo observado. A forma mais eficaz de garantir isso é a permeabilidade visual : janelas voltadas para a rua, áreas de acesso sem pontos cegos, iluminação nas entradas. A maioria dos delitos é praticada por criminosos de baixo potencial ofensivo — e esses são exatamente os que mais se inibem quando percebem que podem ser vistos. Quando há possibilidade de ser flagrado, a principal preocupação do agressor passa a ser sair daquela situação, não continuar a ação.


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02. Controle de Acesso Natural

Não se trata de catracas ou trancas pesadas, mas do modo como o desenho do piso, do jardim e dos portões guia quem chega . O design deve sinalizar claramente qual é o caminho público e qual é o limite privado, induzindo o fluxo de pessoas para pontos focais bem iluminados e visíveis. Criminosos apreciam múltiplas rotas de fuga — espaços com controle de acessos reduzido, sem hipóteses alternativas de saída, tornam-se naturalmente mais seguros. Reduzir ao máximo o número de acessos e destacar visualmente os legítimos com mudanças de piso, vegetação e iluminação.


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03. Territorialidade

O criminoso lê o espaço antes de agir. Uma calçada limpa, jardim com grama aparada, vasos e flores plantadas comunicam que aquele território tem dono — e que esse dono presta atenção. Já uma calçada quebrada, grama mal cuidada, acúmulo de correspondência no portão sinalizam: "aqui moram pessoas desatentas". O senso de pertencimento e cuidado com o espaço cria uma barreira psicológica que nenhum muro substitui. Praças e jardins usados por moradores — onde idosos jogam cartas, crianças brincam, jovens se reúnem — criam vigilância coletiva espontânea.


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04. Manutenção e Ordem

A Teoria das Janelas Quebradas , dos criminologistas James Wilson e George Kelling (anos 1980), estabelece que sinais visíveis de desordem — janelas quebradas, pichações não consertadas, lixo, espaços abandonados — comunicam que ninguém está tomando conta. Um caixote de lixo estragado deve ser substituído imediatamente; uma parede grafitada deve ser pintada no mesmo dia. Manutenção não é estética: é sinalização ativa de que o local tem guardiões. Espaços degradados atraem criminalidade — espaços bem cuidados a repelem.

OS OLHOS
DA RUA.

Vigilância natural e CPTED: janelas voltadas para a rua aumentam a segurança urbana
Vigilância natural: janelas voltadas para a via são os "olhos da rua" que inibem crimes de oportunidade.

Nos anos 1960, a urbanista Jane Jacobs escreveu "Morte e Vida de Grandes Cidades Americanas" — considerado até hoje o texto fundador da urbanística moderna. Ela defendia que a vigilância informal é a forma mais natural e eficaz de segurança urbana. Em bairros históricos onde havia uma senhora na janela , os criminosos não atuavam. Não porque a senhora fosse uma ameaça física — mas porque ela era uma testemunha. Jacobs chamou isso de "olhos da rua" (eyes on the street).

Décadas depois, o urbanista Bill Hillier formalizou o conceito na Teoria da Sintaxe Espacial : ele demonstrou uma relação estatisticamente direta entre o número de janelas voltadas para a rua e a segurança dos pedestres naquele espaço. Mais janelas = mais vigilância = menos criminalidade. O controle do padrão de movimento no meio urbano é, segundo Hillier, a forma mais eficiente de controlar o crime no espaço.

A neuroarquitetura explica o mecanismo: 90% dos estímulos externos que o ser humano recebe são informações visuais . O ser humano lê o espaço e se comporta conforme aquilo que enxerga — mesmo sem que ninguém tenha dito uma única palavra. Um espaço bem iluminado e visível induz comportamentos adequados em todos os usuários. Um beco escuro e sem saída induz o oposto. O projeto arquitetônico é, portanto, um instrumento de condicionamento de comportamento — para o bem e para o mal.

A aplicação prática é direta: fachadas com janelas voltadas para a rua, jardins sem vegetação acima de 1 metro de altura , portarias de condomínio sem insulfilm escuro, garagens iluminadas. Cada centímetro de visibilidade conquistado é um inibidor ativo de criminalidade — funcionando sozinho, sem custo, a vida toda.

O EFEITO FORTALEZA.

O paradoxo do muro alto: quanto mais você protege, mais você pode estar se expondo.

Muros altos e efeito fortaleza: excesso de proteção física que não garante segurança residencial
O muro alto elimina a vigilância natural — o próprio recurso mais eficaz de segurança.

O "Efeito Fortaleza" é o fenômeno pelo qual o excesso de barreiras físicas não aumenta a segurança real — e pode até prejudicá-la. Há cinco mecanismos que explicam por quê:

1. Favorece o criminoso determinado. Pichadores escalam fachadas de 15 a 20 andares. 60% dos métodos de invasão documentados são por escalada — o muro alto é obstáculo para o oportunista, não para o determinado. Na pesquisa de Bondaruk, 48% dos presos admitiram que a estrutura da residência facilitou o crime — e apenas 6% citaram o muro como fator de decisão.

2. Elimina a visibilidade. O criminoso pode agir entre o muro e a casa sem ser visto de fora. O muro que deveria proteger cria exatamente o ambiente favorável que o CPTED ensina a evitar.

3. Sinaliza riqueza. Muitos criminosos entrevistados disseram: "Quando vejo uma casa com toda essa estrutura, penso que deve ter muito dinheiro lá dentro." O Efeito Fortaleza atrai o criminoso profissional em vez de afastá-lo.

4. Muda a estratégia do crime. O criminoso não tenta mais entrar pelo muro — espera o morador chegar em casa, aborda na entrada ou em outro local e faz a própria vítima abrir o portão já rendida.

5. Gera ciclo vicioso. A instalação indiscriminada de muros, câmeras e cercas gera desconforto e sensação de medo — contribuindo para o abandono dos espaços públicos, que por sua vez aumenta a criminalidade. Quem mais lucra com esse ciclo é a indústria de segurança.

A Pesquisa com 33 Presos

Aplicada por assistentes sociais e psicólogos do Departamento Penitenciário do Paraná, sem presença policial — para evitar mascaramento dos resultados. Presos sentenciados por crimes contra o patrimônio.

71%
Preferem casas com muro

Contra 29% com grades. Motivo declarado pelos presos: o muro permite aproximação sem ser visto e atuação tranquila dentro do imóvel. A grade permite visibilidade — é menos favorável ao crime.

36%
Escolhem pelo menor fluxo de pessoas

O fator mais decisivo na escolha do alvo não é o muro — é a ausência de testemunhas. Local com menos pedestres = menos risco de ser visto = alvo preferencial.

23%
Escolhem por obstáculos à visão

Vegetação densa, muros opacos, pontos cegos de iluminação — qualquer barreira visual que dificulte que testemunhas os vejam cometendo o crime.

6%
Se preocupam com o muro

Apenas 6% citaram o tamanho do muro ou da grade como fator. A conclusão é direta: visibilidade inibe muito mais o crime do que a altura da proteção física.

Fonte: Coronel Roberson Luiz Bondaruk / Departamento Penitenciário do Paraná

ILUMINAÇÃO E
VEGETAÇÃO.

As regras de paisagismo e iluminação do CPTED têm uma lógica única: o objetivo é eliminar esconderijos e garantir visibilidade, não produzir efeito decorativo.

Transparência, iluminação e segurança urbana: luz na calçada e vegetação controlada para vigilância natural
Iluminação na calçada e vegetação controlada: dois dos recursos mais eficazes e menos custosos de segurança residencial.

Caso documentado em Londrina-PR : azaleias altas plantadas junto a uma lombada permitiam que assaltantes se escondessem atrás da vegetação e abordassem motoristas enquanto os veículos reduziam a velocidade. A solução custou zero reais: poda das plantas. Após a intervenção, as ocorrências cessaram completamente. O mesmo princípio se aplica a qualquer jardim residencial.

VEGETAÇÃO

  • arrow_forwardGalhos de árvores: mínimo de 2,10 metros do solo (NBR de Acessibilidade). Galhos baixos são usados como escada para escalar e se esconder.
  • arrow_forwardArbustos: máximo de 1 metro de altura. Acima disso, criam esconderijos que permitem abordagem e ocultamento do criminoso.
  • arrow_forwardEspécies com copa densa (ex: mangueira): criam pontos de escuridão sob a árvore. Preferir espécies que permitem permeabilidade de luz.
  • arrow_forwardRaízes pivotantes (que crescem para baixo): preferíveis às raízes superficiais que arrebentam calçadas — calçadas irregulares reduzem o fluxo de pedestres e aumentam a criminalidade no entorno.

ILUMINAÇÃO

  • arrow_forwardIlumine a calçada, não a pista. Os carros têm iluminação própria — quem precisa de luz são os pedestres. Luminárias posicionadas no lado oposto ao passeio fazem a luz cair sobre o calçamento.
  • arrow_forwardLuz branca é preferível à amarela. A luz amarela gera imagem bucólica e pouco convidativa — desestimula a circulação noturna de pedestres, reduzindo a vigilância natural.
  • arrow_forwardDois pontos de luz em locais críticos (portão, entrada): quando uma lâmpada queima, a outra permanece ativa — sem jamais deixar o acesso no escuro.
  • arrow_forwardÁrvores já plantadas: adicionar iluminação de baixo para cima, que lança luz sob os galhos eliminando as sombras que servem de esconderijo sem prejudicar a árvore nativa.

DESIGN CONTRA
O CRIME.

Quando o projeto elimina detalhes que o criminoso explora. Não é sobre fortaleza — é sobre inteligência no desenho.

Design contra o crime: produtos e espaços que eliminam características que facilitam atos criminosos
Design contra o crime: eliminar características físicas que o criminoso explora — no produto, no espaço e no projeto.
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A Mochila Antidelito

A abertura real fica do lado do corpo — só é possível abrir quando a mochila está fora das costas. A abertura falsa está para trás (inacessível). O forro tem entretela de segurança para evitar que seja cortado com estilete — técnica em que o criminoso rasga o tecido nas costas da vítima e retira carteira e celular sem que ela perceba.

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O Televisor Colorido

O Governo do Paraná distribuiu TVs de uma cor exclusiva para escolas públicas. Quando furtadas, eram imediatamente reconhecidas em qualquer residência. Resultado: apenas uma unidade foi levada — e o criminoso foi rapidamente identificado e preso. Design contra o crime aplicado em escala pública, com custo de produção zero.

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A Ventarola do Carro

Os carros antigos tinham uma pequena janelinha basculante ("ventarola") que era forçada ou quebrada para introduzir a mão e abrir o veículo. Os fabricantes identificaram o problema e eliminaram a peça do design. Os carros modernos não têm mais essa vulnerabilidade — isso foi design contra o crime aplicado em escala industrial.

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A Cadeira de Restaurante

Dispositivo sob o assento para guardar bolsas e paletós — em vez de pendurar no espaldar, onde o criminoso se aproxima furtivamente por trás. A empresa Movelaria Paranista, de Curitiba, desenvolveu linha completa de mobiliário adaptado para restaurantes e espaços públicos com esse princípio aplicado ao design do assento.

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O Espelho d'Água Estratégico

Caso real: uma multinacional alemã tinha portões que não resistiam a colisão e gramado aberto que permitia que um veículo chegasse até a agência bancária interna. A solução proposta pelo arquiteto Percival Barbosa: um espelho d'água no gramado — barreira física intransponível para veículos, com benefícios estéticos, microclimáticos e de lazer para funcionários. Segurança sem parecer segurança.

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A Loja Que Virou Alvo

Curitiba, 2006: proprietário de loja foi morto durante assalto. A análise posterior revelou: sem janelas para a frente (zero visibilidade externa), caixa posicionada de costas para a entrada (zero vigilância interna), territorialidade ausente (a loja não se comunicava com a rua). Lugar ideal para assalto — projetado involuntariamente assim. O crime aconteceu dentro do projeto.

URBANISMO E
SEGURANÇA.

A segurança começa no traçado das ruas, no tamanho das quadras e na mistura de usos. O caso de Brasília é o mais emblemático: a cidade com 1 policial para cada 18 habitantes — a maior proporção do Brasil — ainda assim apresenta índices de criminalidade alarmantes. O motivo está no urbanismo.

Integração com entorno e espaço público: urbanismo preventivo e mistura de usos para segurança urbana
Mistura de usos e integração com o espaço público: a forma mais eficaz e duradoura de segurança urbana.

A ONU projeta que 75% da população mundial estará em cidades até 2050 . Isso significa que a segurança de centenas de milhões de pessoas dependerá diretamente das decisões tomadas hoje por arquitetos, urbanistas e gestores públicos. Jane Jacobs defendia que o planejamento urbano precisa considerar a criminalidade como pauta obrigatória de análise. O princípio é a mistura de usos principais : lojas, escolas, igrejas e residências no mesmo espaço geram fluxo variado de pessoas em horários diferentes — manhã, tarde, noite. O espaço é utilizado por mais tempo, por mais pessoas, tornando-se naturalmente mais seguro.

Brasília faz o oposto: setor hoteleiro concentrado, setor residencial separado, setor comercial isolado. Cada uso entra em hiperfuncionamento em determinado horário e fica completamente vazio nos outros. Uma superquadra vazia à noite é tão vulnerável quanto qualquer área abandonada. O urbanismo, não o policiamento, é o antídoto.

"Quem resolveu o problema não foi um policial — foi um engenheiro, foi um arquiteto que projetou, construiu, e no seu trabalho resolveu um problema grave de segurança pública." — Coronel Bondaruk, sobre o viaduto construído na Av. das Torres em Curitiba, que eliminou assaltos e mortes num cruzamento crítico.

Ruas em linha reta permitem campos visuais longos — naturalmente mais seguras. Ruas curvilíneas encurtam o campo de visão: o assaltante foge rapidamente do campo visual da vítima ou da polícia. Quadras menores fortalecem relações de vizinhança e aumentam a permeabilidade urbana. Becos e fins de rua — resultantes de superquadras ou de ruas barradas por avenidas de hierarquia alta — concentram criminalidade. Terrenos baldios entre 2003 e 2005 geraram, em um único lote no Paraná, 269 abordagens policiais e 152 ocorrências de viaturas — roubos, furtos, suicídios, cadáveres, perturbação do sossego. Um terreno vazio não é neutro: é um convite.

DICAS PRÁTICAS
PARA SUA CASA.

Compiladas das pesquisas da PM-PR em Rolândia e das diretrizes do Coronel Bondaruk. Cada uma elimina uma vulnerabilidade específica que criminosos declararam explorar.

  • fence
    Grades, não murosGrades permitem visibilidade mútua — a casa vê a rua e a rua vê a casa. Evite barras transversais a meia altura que servem de degrau. Saliências e reentrâncias no muro são apoios de escalada.
  • garage
    Portão da garagem: nunca abertoUm portão eletrônico aberto é um convite. Criminosos que circulam pelo bairro entram e praticam furto ou roubo. Travar o veículo dentro da garagem é regra — alarme, trava de direção, vidros fechados.
  • visibility_off
    Eliminar pontos cegosVegetação densa junto a janelas e portas, objetos junto ao muro que funcionam como escada (suporte de lixo, caixas de luz), sacadas baixas sem proteção equivalente ao térreo — cada um é uma vulnerabilidade cadastrada pelos criminosos antes da ação.
  • lightbulb
    Iluminação em todos os pontos de paradaTodo local onde se para ao chegar em casa — entrada, corredor lateral, espaço entre a parede e o muro — deve estar iluminado. Dois pontos de luz na entrada: quando um falha, o outro mantém o acesso visível.
  • directions_car
    Atenção ao chegar — nunca no "piloto automático"Antes de sair do carro na garagem: observar pessoas suspeitas nos arredores, veículos parados com ocupantes sem motivo, motos com comportamento suspeito. Se perceber algo estranho: não parar, dar a volta no quarteirão e ligar 190.
  • escalator_warning
    Muro lateral encostado na paredeUm muro de divisa que encosta na parede lateral do sobrado pode ser usado como rampa de acesso à janela ou sacada do andar superior. Reforçar a segurança dessa lateral específica — criminosos conhecem essa geometria.
  • people
    Vizinhança ativa é o melhor alarmeO vendedor de coco que conhece os filhos dos moradores é uma forma de segurança sem custo. Bairros com convivência entre vizinhos são naturalmente mais seguros — a vigilância acontece de forma instintiva, sem protocolo, sem câmera.

QUEM MAIS SOFRE
COM O CRIME?

A pesquisa do Prof. Anderson Chagas (PUC-PR, mestrado em Gestão Urbana, 2020) com 445 respondentes em dois bairros opostos de Curitiba — Batel (alto poder aquisitivo) e Prado Velho (baixo) — trouxe um resultado que inverte o senso comum.

No Batel , onde mais de 60% dos imóveis têm câmeras e o maior número de equipamentos de segurança está instalado: os crimes acontecem principalmente em ambientes fechados e nos imóveis mais fortifcados. Paradoxo: o mais protegido é onde o crime acontece dentro.

No Prado Velho , os crimes acontecem no espaço público — ruas, veículos. A percepção de que "bairros periféricos são perigosos" vem mais do estereótipo reforçado pela mídia do que da experiência direta dos moradores. E os jovens do Batel, diferente dos mais velhos, já discordam que grades e câmeras tragam segurança real.

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A Indústria do Medo

A pesquisa de Chagas concluiu que artefatos de segurança às vezes trazem o efeito contrário: mais desconforto e mais sensação de medo. A maioria dos moradores não sabe o que está sendo feito em matéria de segurança em sua região — essa alienação gera desconfiança, que gera mais compra de equipamentos, que gera mais sensação de insegurança. Quem mais lucra com esse ciclo é a indústria de segurança privada. A escolha do imóvel, em ambos os bairros, foi pautada por localização, conveniência e conforto — não por segurança. A segurança real começa antes: no projeto.

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Fonte

Prof. Anderson Chagas, arquiteto e urbanista, mestrado em Gestão Urbana pela PUC-PR (2020). Pesquisa aplicada remotamente durante a pandemia. Mínimo calculado: 385 respondentes; obtido: 480. Cinco blocos de análise: dados demográficos, tipologia da moradia, medo em espaços públicos, equipamentos de segurança e percepção sobre violência. Apresentado no evento do Instituto de Engenharia do Paraná (IEP), Câmara Técnica de Arquitetura e Urbanismo.

GLOSSÁRIO

Os termos técnicos desta área, traduzidos para quem está chegando agora no tema.

CPTED
Crime Prevention Through Environmental Design. Metodologia originada nos EUA nos anos 1970 para prevenção de crimes por meio do desenho do ambiente físico. Padronizada internacionalmente pela ISO 22341:2021.
SEPTED
Segurança e Prevenção do Crime Através do Espaço Construído. Versão portuguesa do CPTED, adotada na estratégia nacional de habitação de Portugal desde 2015.
ISO 22341
Norma internacional de 2021 da ISO (International Organization for Standardization) que padroniza as diretrizes de prevenção do crime através do design ambiental. Primeira norma global dedicada exclusivamente ao tema.
ICED
International CPTED Association. Fundada em 1996 no Canadá. Principal organização internacional dedicada ao CPTED, que define a metodologia como "método multidisciplinar para redução do crime e do medo do crime por meio do design, gerenciamento e manutenção de espaços".
Vigilância Natural
Primeiro pilar do CPTED. O desenho do espaço garante que moradores, vizinhos e passantes possam ver naturalmente o que acontece ao redor — sem câmeras, sem guaritas, sem custos operacionais. Baseado no conceito dos "olhos da rua" de Jane Jacobs.
Efeito Fortaleza
Paradoxo pelo qual o excesso de proteção física (muros altos, arame, câmeras em excesso) reduz a segurança real ao eliminar a visibilidade — que é o recurso mais eficaz de inibição de crimes de oportunidade — e pode atrair o criminoso profissional.
Sintaxe Espacial
Teoria do urbanista Bill Hillier que estabelece relação estatisticamente direta entre configuração espacial (traçado de ruas, posição de janelas, hierarquia urbana) e comportamento social, incluindo criminalidade.
Produtos Criminogênicos
Produtos industrializados que, por características físicas do seu design, geram criminalidade com mais intensidade que outros — por servir como ferramenta ou por ser alvo de alta demanda no mercado paralelo. Ex: a antiga "ventarola" dos carros, a pasta específica para laptop, aparelhos eletrônicos com identificação visual imediata.

SEGURANÇA COMEÇA
NO PROJETO.

No DOA Estúdio, os princípios do CPTED fazem parte do projeto arquitetônico desde o primeiro rascunho — não como item adicional, não como adaptação posterior. Vigilância natural, controle de acesso, territorialidade e manutenção são premissas de projeto. O resultado é uma casa que protege pela inteligência do espaço: sem transformá-la em uma fortaleza, sem custo operacional, sem depender de bateria.

verified Atendemos Limeira, Campinas, Piracicaba, Americana, Rio Claro e região.

Fontes: Coronel Roberson Luiz Bondaruk (PM-PR) · Prof. Anderson Chagas (PUC-PR) · Nuno Malheiro da Silva (APAV, Portugal) · Percival Barbosa (Mackenzie-SP) · ISO 22341:2021 · ICED · Jane Jacobs "Morte e Vida de Grandes Cidades Americanas" · Bill Hillier (Space Syntax)

REFERÊNCIAS

Fontes primárias consultadas na elaboração deste dossiê. Clique para acessar os vídeos e publicações originais.

VÍDEOS E PALESTRAS

  1. 01 BONDARUK, Roberson Luiz. A Arquitetura Contra o Crime: prevenção de delitos através do desenho urbano. [S. l.]: Canal Coronel Bondaruk, 2021. 1 vídeo (9 min 51 s). Assistir no YouTube ↗
  2. 02 BONDARUK, Roberson Luiz. Design contra o Crime. [S. l.]: Ministério Público do Estado do Paraná, 12 ago. 2014. 1 vídeo (8 min 49 s). Assistir no YouTube ↗
  3. 03 BONDARUK, Roberson Luiz. Segurança em Espaços Públicos. [S. l.]: Ministério Público do Estado do Paraná, 12 ago. 2014. 1 vídeo (26 min 22 s). Assistir no YouTube ↗
  4. 04 BONDARUK, Roberson Luiz. GESTÃO EFICAZ — Design contra o Crime — Parte 1. [S. l.]: EBS Business School, 24 abr. 2010. 1 vídeo (6 min 1 s). Assistir no YouTube ↗
  5. 05 BONDARUK, Roberson Luiz. GESTÃO EFICAZ — Design contra o Crime — Parte 2. [S. l.]: EBS Business School, 24 abr. 2010. 1 vídeo (6 min 2 s). Assistir no YouTube ↗
  6. 06 CHAGAS, Anderson. Arquitetura e Segurança: a percepção do medo no espaço urbano. PUC-PR, mestrado em Gestão Urbana, 2020. 1 vídeo. Assistir no YouTube ↗
  7. 07 KARPINSKI, Marcelo Trevisan. Arquitetura e Segurança Pública: estratégias de proteção. 2021. 1 vídeo. Assistir no YouTube ↗
  8. 08 SILVA, Teanes. Gestão de Segurança e a norma ISO 22341. 2023. 1 vídeo. Assistir no YouTube ↗
  9. 09 TEANES, Professor. Fundamentos do CPTED e Prevenção Criminal. 2023. 1 vídeo. Assistir no YouTube ↗
  10. 10 CT HUB. Arquitetura da Segurança — Desenho Contra o Crime em 2021. Apresentação: João e Percival. CT Hub, 11 jan. 2021. 1 vídeo (1 h 9 min 11 s). Assistir no YouTube ↗
  11. 11 SILVA, Nuno Malheiro da. A prevenção do crime através do espaço construído. TEDxLisboa. Lisboa: TEDx Talks, 4 nov. 2022. 1 vídeo (16 min 41 s). Assistir no YouTube ↗

LIVROS E NORMAS

  1. 12 BONDARUK, Roberson Luiz. A arquitetura contra o crime: prevenção de delitos através do desenho urbano. Curitiba: Edição do Autor, 2007.
  2. 13 INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION. ISO 22341:2021: Security and resilience — Protective security — Guidelines for crime prevention through environmental design. Genebra: ISO, 2021.
  3. 14 JEFFERY, C. Ray. Crime Prevention Through Environmental Design. Beverly Hills: Sage Publications, 1971.
  4. 15 NEWMAN, Oscar. Defensible Space: crime prevention through urban design. New York: Macmillan, 1972.