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Casa Campo Belo

Limeira - SP

Projeto residencial em Limeira-SP que prova que arquitetura econômica pode ter alma. A fachada verde sálvia, a alvenaria estrutural modulada e o conforto térmico sem ar-condicionado definem a Casa Campo Belo.


Tipologia

Residencial | Sobrado

Sistema construtivo

Alvenaria estrutural modulada

Estratégias

Ventilação cruzada, iluminação zenital e pátio interno


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Casa Campo Belo: Quando a Racionalidade Encontra o Afeto

Existe uma arquitetura que grita e uma arquitetura que acolhe. A Casa Campo Belo, em Limeira (SP), é um exercício deliberado de silêncio e acolhimento — uma resposta gentil, mas firme, à padronização que domina o cenário urbano contemporâneo. Em um tempo em que as fachadas buscam impor respeito através da monumentalidade, onde o cinza e a repetição se tornaram a língua franca da cidade, este projeto escolhe o caminho oposto: busca a verdade do toque, o conforto térmico e a memória afetiva.

Projetada para um jovem casal, esta residência é a prova física de que orçamentos enxutos não limitam a arquitetura; pelo contrário, exigem dela sua melhor versão: a inteligência. Porque arquitetura não é — não pode ser — mera construção.

Como nos ensina Vitrúvio, é a venustas (o aspecto estético) que faz a arquitetura transcender a utilidade e se converter em experiência.

O Desafio: Economia como Potência Criativa

O ponto de partida foi claro: criar um lar com identidade forte, com cara de vilinha, como solicitou a cliente, mas respeitando uma planilha de custos rigorosa. A pergunta fundamental era: como produzir atmosfera — não paredes, mas atmosfera — dentro de um orçamento que não permitia desperdícios?

A resposta veio da honestidade estrutural. Para viabilizar a obra sem derrapagens financeiras, optamos pelo sistema de Alvenaria Estrutural Modulada. A casa é honesta em sua estrutura, como um corpo que não esconde seus ossos.

Foram desenhados e assentados 12.000 blocos de concreto, paginados um a um no projeto executivo. Cada parede planejada em função da medida exata do bloco, eliminando a necessidade de cortes e reduzindo drasticamente o entulho de obra.

12.000 blocos modulados, desenhados um a um para precisão total.

Zero quebra-quebra e praticamente nenhum entulho gerado na obra.

Economia inteligente para investir em acabamento, cor e luz.

A Fachada: O Primeiro Gesto de Acolhimento

Ao chegar, a casa não se esconde. Não há arrogância, mas também não há timidez. A fachada em Verde Sálvia rompe com a monotonia do cinza urbano, estabelecendo um diálogo imediato com o paisagismo — como se a casa quisesse ser árvore, ser jardim, ser natureza domesticada.

O portão metálico é permeável, permite ver e ser visto. Essa porosidade entre público e privado é uma das características mais potentes da nossa arquitetura, essa indistinção brasileira entre dentro e fora.

A decisão mais corajosa foi inverter a lógica da garagem. Em vez de um bunker escuro para proteger o carro, optamos por um pátio aberto, sem laje maciça. Sacrificamos a sombra total do automóvel para ganhar luz, ventilação e vida na sala de estar e jantar.

Como nos ensina Vermeer, é pela janela que a natureza entra, é pela luz que a casa respira.

O piso da entrada em cerâmica natural terracota rejeita o brilho frio dos porcelanatos polidos em favor da textura tátil, da cor de terra, do convite a andar descalço.

"Não tente ter a fachada que impõe respeito. Tenha a fachada que convida."

O Umbral: A Casa Recebe

A entrada é um rito de passagem: do ruído da rua para a calmaria do lar. O primeiro gesto é tátil e sincero, pensado para acolher sem alarde.

O tijolinho aparente e a cerâmica natural trazem textura e calor, rejeitando o brilho frio dos materiais polidos. É a arquitetura dizendo: tire os sapatos, você está em casa.

É um umbral — essa palavra bonita que os franceses celebram no Arco do Triunfo — essa passagem, essa curiosidade entre dois mundos onde o corpo entende que está protegido.

O Coração Social: Onde a Vida Acontece

Adentrar a área social é entender que a planta baixa foi desenhada para o encontro. A integração é total, costurada por um piso de porcelanato amadeirado. Nada de compartimentações excessivas, nada de hierarquias rígidas entre cozinha, sala de jantar e estar.

A cozinha não é um laboratório branco e asséptico; é o cenário da vida. A marcenaria em Azul Petróleo contrasta com a bancada em madeira tratada, criando um ponto focal de sofisticação despretensiosa. A cor não é apenas decoração; é um manifesto contra a monotonia.

A janela fita sobre a pia enquadra o jardim tropical como um quadro vivo, trazendo luz natural para a rotina doméstica. Pelas janelas contemplamos o universo, como nos lembra Osman Lins.

Na sala de estar, um arco na cor terracota delimita o espaço de memórias e plantas. É arquitetura como moldura da vida.

O Refúgio Externo: A Natureza Domesticada

A área de lazer é extensão natural da sala — ou seria a sala uma extensão da varanda? Sob a estrutura do telhado de madeira maciça, redes de descanso convidam ao ócio, esse direito fundamental que a sociedade produtivista tenta nos roubar.

O paisagismo é denso e tropical: helicônias e costelas-de-adão criam um microclima fresco, protegendo a casa do calor do interior paulista. Não é apenas decoração; é estratégia climática.

Na área de serviço, o uso de cobogós transforma a vista do jardim em experiência fragmentada de luz e cor, tornando visível o invisível.

A Escada: Escultura de Luz e Circulação Vertical

A circulação vertical, muitas vezes tratada como mero elemento funcional, aqui se torna protagonista. A escada é banhada por telhas de vidro — iluminação zenital — que inunda o centro da casa com luz natural.

As paredes da caixa de escada, pintadas em rosa queimado, reagem a essa luz como uma tela que muda conforme a hora do dia. A casa respira com a luz, muda de humor, está viva.

Como nos ensina Daniel Blaufuks, um único tema pode revelar infinitas variações. A escada não se esgota; ela se renova a cada olhar.

O guarda-corpo em serralheria artística de demolição adiciona leveza visual ao volume. Função e beleza não se separam.

Intimidade e Funcionalidade nos Espaços Privados

No pavimento superior, a inteligência projetual transforma corredores em espaços úteis e carregados de afeto. O hall íntimo abriga uma biblioteca vertical, onde prateleiras de madeira aproveitam cada centímetro para organizar livros e objetos afetivos.

Os banheiros seguem a lógica da personalidade através da cor: revestimentos estilo subway tiles aparecem verticalmente em azul e rosa, combinados com metais pretos e gabinetes de madeira. Áreas molhadas também merecem beleza.

O quarto infantil adota o método montessoriano, com pintura de nuvens em meia parede e móveis na altura da criança, incentivando autonomia desde cedo.

A Estética da Memória: "Casa de Vózinha Moderna"

Se a estrutura é rígida e matemática — 12.000 blocos modulados, calculados, precisos —, o recheio é pura emoção. A materialidade do projeto resgata a sensação de acolhimento das antigas casas do interior, numa releitura contemporânea. Não é nostalgia barata; é memória ativada, é afeto traduzido em matéria.

Como nos mostra Adriana Varejão em seus trabalhos sobre azulejos, as paredes não são apenas superfícies inertes — elas contêm vida, contêm história, contêm trabalho humano. Esta casa, construída bloco por bloco, é também corpo. Um corpo que abriga outros corpos, que protege, que acolhe.

A Casa como Organismo Vivo

Como nos ensina Osman Lins em "Retábulo de Santa Joana Carolina":

"A casa, com a árvore e o sol, é o primeiro e o mais frequente desenho das crianças. Para onde ficam a mesa, a cama e o fogão? As paredes externas e o teto nos resguardam para que não nos dissolvamos na vastidão da terra."

A Casa Campo Belo é esse resguardo, esse ponto fixo, esse "aqui" de onde partimos e para onde regressamos. Ela nos protege da vastidão, mas não nos isola do mundo. Pelas portas temos acesso ao resto do universo; pelas janelas contemplamos a vida que pulsa lá fora.

Como diz Manuel Bandeira ao descobrir que sua casa de infância foi demolida, o quarto não fica "como forma imperfeita neste mundo de aparências", mas "na eternidade". As casas que habitamos nos habitam também.

Conclusão: A Sofisticação do Simples

A Casa Campo Belo é um projeto de escolhas conscientes. É o resultado de um diálogo maduro entre arquitetura, economia e afeto. Ela nos lembra que o moderno não precisa ser frio e que o simples, quando bem desenhado, atinge a sofisticação máxima: a de ser, verdadeiramente, um lar.

Não é uma casa que tenta impressionar. Não grita, não se impõe, não busca holofotes. Mas acolhe. Tem cheiro de lar. Tem textura de verdade. Tem a temperatura certa. É, orgulhosamente, uma casa onde se pode viver, amar, criar filhos, receber amigos, cozinhar, dormir, sonhar. Uma casa que entende que arquitetura não é sobre revista — é sobre vida.

Ficha Técnica

  • Local: Limeira, São Paulo
  • Área: 124 m²
  • Sistema construtivo: Alvenaria estrutural modulada (bloco de concreto)
  • Materialidade: Piso cerâmico natural, marcenaria integrada, iluminação natural zenital
  • Estratégias: Pergolado para ventilação e iluminação, paisagismo tropical, cobogós

Diretrizes do projeto

  • Paleta: Verde sálvia, azul petróleo e terracota
  • Áreas-chave: Varanda de lazer, pátio interno e estar integrado
  • Tipologia: Residencial | Sobrado
  • Ano: 2025

Contexto Urbano

Projeto localizado no Jardim Residencial Campo Belo, uma área de expansão urbana em Limeira, São Paulo. O loteamento caracteriza-se por terrenos planos e clima tropical de altitude, exigindo soluções arquitetônicas específicas para o controle solar e aproveitamento dos ventos predominantes da região sudeste.

Galeria do projeto

Use as setas para navegar pelas imagens do projeto.


Area de lazer externa com mesa rustica sob pergolado
Churrasqueira em tijolo aparente com bancada em azulejo
Fachada verde salvia da Casa Campo Belo
Hall de entrada com tijolinho aparente
Cozinha planejada azul petroleo
Cozinha integrada com varanda por porta de vidro
Cozinha com bancada de madeira e vista para o jardim
Integracao entre sala de jantar e cozinha americana
Sala de jantar com decoracao afetiva
Sala de estar com arco terracota
Sala iluminada com cadeiras Acapulco
Janela da sala com vista para jardim tropical
Varanda gourmet com pergolado de madeira
Paisagismo tropical no patio interno
Jardim com costela de adao e muro verde
Cobogo vazado enquadrando o jardim
Patio interno com piso ceramico natural
Escada com claraboia e parede rosa terracota
Home office planejado funcional
Biblioteca em corredor com prateleiras
Lavabo com revestimento hexagonal verde e espelho Adnet
Banheiro social com subway tile azul
Banheiro com revestimento rosa metro
Quarto infantil montessoriano com pintura de nuvens
Detalhe da marcenaria neutra no quarto infantil

Manifesto

Para a Casa Campo Belo, em Limeira, nós não escrevemos um memorial descritivo. Escrevemos um manifesto. Porque em um mundo de cópias, ter identidade é um ato de resistência.

"Se dizem que a sua casa não parece com as outras da rua... Se notam que ela tem um tempo diferente, uma alma diferente... Bom. Continue assim."

"Porque quando chamam de 'Casa de Vó moderna', eles não estão falando de idade. Estão falando de afeto. E isso... é o luxo que o dinheiro não compra."

"Não tente ter a fachada que impõe respeito. Tenha a fachada que convida."

"Não busque a perfeição do catálogo. Busque a verdade do toque."

"Não escolha entre o orçamento e o sonho. Escolha a inteligência."

"Transforme o orçamento em um santuário... Depois de desenhar 12 mil blocos, com a precisão de quem desenha o futuro."

"Não se preocupe em seguir a tendência do bairro. Preocupe-se em criar a memória da sua família."

"Se o mundo lá fora é cinza... Tenha a coragem de ser verde sálvia."

"Não faça apenas uma garagem para guardar o carro. Abra um espaço para receber o sol."

"Entenda que a luz natural vale mais que qualquer telhado."

"Quando falarem sobre a casa mais autêntica que já visitaram... Certifique-se de que é a sua."

"Se você tem grandes amigos... não construa apenas paredes. Construa laços."

"É... é sobre isso."

"Então, não pergunte se a sua casa é moderna o suficiente. Pergunte se ela é humana o suficiente."

"A Casa Campo Belo não é um modelo para ser copiado. É um convite para ser sentido. Porque no fim das contas, a sua casa não precisa ser igual a esta. Ela só precisa ser igual a você."

"Transformar 12 mil blocos em poesia não é mágica. É escuta. É entender que a técnica deve sempre se curvar à emoção."

Obrigado, aos clientes, por nos permitirem desenhar esse manifesto. Aos que buscam o próprio refúgio: bem-vindos ao nosso mundo. Fotos @mm4xm.

Perguntas sobre o projeto

Por que escolher Alvenaria Estrutural?

Na Casa Campo Belo, optamos pela alvenaria estrutural modulada para reduzir o desperdício. Diferente do método convencional, aqui as paredes sustentam a casa, eliminando pilares e vigas de concreto armado desnecessários. Isso gerou uma economia de aproximadamente 20% na etapa de "osso" da obra e zero entulho, permitindo investir mais em acabamentos de qualidade.

É possível ter conforto térmico em Limeira sem ar-condicionado?

Sim. Limeira é uma cidade quente, mas a arquitetura bioclimática resolve isso. Projetamos a casa com ventilação cruzada (janelas opostas que forçam o vento a circular) e pé-direito alto. Além disso, o piso de cerâmica natural e a cobertura com laje protegida mantêm a temperatura interna agradável, reduzindo drasticamente a necessidade de climatização artificial.

O que é Arquitetura Afetiva?

É o conceito central do DOA Estúdio. Em vez de seguir modismos passageiros, criamos espaços que conectam emocionalmente. Na Casa Campo Belo, isso se traduz no uso de cores que acolhem (Verde Sálvia e Azul Petróleo), materiais táteis (tijolinho e madeira) e na valorização da luz natural através da claraboia central.

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